O valor das florestas em pé


Sabemos que a floresta viva e em plena atividade é importante. Mas qual é o exato valor disso?

A valoração econômica da floresta é um estudo complexo e detalhista que considera custos e benefícios que seriam ignorados caso a análise financeira convencional fosse adotada.

Mas podemos ter uma ideia do valor monetário das florestas se estimarmos que apenas a produção de toras de madeiras extraídas em áreas manejadas da Amazônia pode gerar até R$ 2,2 bilhões, por ano. O turismo ecológico também pode render muito economicamente: em torno de R$ 1,6 bilhão, com a visitação de turistas nos 67 parques do Brasil.

Existem ganhos financeiros que não são fáceis de medir e que, por isso, não são muito percebidos e nem valorizados pela sociedade. Eles são estimados a partir dos serviços ambientais prestados por uma floresta viva e bem conservada. É a produção da água e sua qualidade que abastece reservatórios e usinas hidrelétricas; é o turismo em municípios que atraem visitantes pela exuberância da paisagem; é o desenvolvimento de medicamentos e cosméticos criados a partir da floresta; e são os esforços em combater às mudanças climáticas diminuindo a emissão de gás carbônico.
Assim, floresta em pé gera mais riqueza do que a exploração predatória!

 

Cerca de 1,6 bilhão de pessoas, incluindo mais de dois mil povos indígenas, dependem das florestas para sua alimentação, abrigo, renda e energia. Isso sem contar o benefício com o ar limpo, a água de qualidade e a regulação do clima.

Um trabalho desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra o grande potencial econômico que pode ser gerado pelas Unidades de Conservação (UCs) brasileiras, as nossas áreas verdes protegidas por lei:

 

  • A produção de borracha nas 11 reservas extrativistas rende R$ 16,5 milhões anuais.
  • A produção de castanha-do-pará pode gerar R$ 39,2 milhões por ano, em suas 17 reservas.
  • As UCs impediram a emissão de cerca de 2,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, isso significa um ganho estimado em R$ 96 milhões.
  • Em mananciais cobertos por floresta, o custo associado ao tratamento da água destinada ao abastecimento público é bem menor que o custo de tratamento em áreas com baixa cobertura florestal.

 

 

Infelizmente esses e outros serviços prestados gratuitamente pelas florestas do mundo inteiro estão ameaçados pelo desmatamento que acaba com mais de 13 milhões de hectares de floresta por ano, ou seja, cerca de 13 milhões de campos de futebol derrubados a cada ano que passa.

 

Alternativas para garantir a floresta viva

 

Além da criação de áreas protegidas por lei, existem meios de manter a floresta em pé e manter a produção nas áreas rurais. O Sistema Agroflorestal (SAF) é um exemplo de instrumento que garante a conservação e a segurança alimentar de milhões de pessoas.

 

O sistema é uma forma de produção que combina conservação da floresta e agricultura. Famílias que vivem na zona rural próximos a áreas florestais já o adotam como atividade. Um bom exemplo  são as comunidades de produtores rurais da região do Baixo Rio Negro (Amazonas) que, estimulados e apoiados pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, não usam mais fogo para “limpar” a área de plantio – uma prática muito prejudicial ao solo e à floresta. Hoje eles aproveitam a matéria orgânica como fonte de nutrientes para a terra. Culturas agrícolas tradicionais, como a mandioca, são plantadas entre espécies da floresta, enriquecendo a biodiversidade local, sem prejudicar os ganhos econômicos do agricultor. E os resultados são: colheita facilitada, aumento na produção e diminuição de mão de obra na capina e a conservação dos recursos naturais.

 

 

 

 

 

Fontes: Ministério do Meio Ambiente, Organização das Nações Unidas, Organização Mundial de Saúde, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas


O valor das florestas em pé
Postado em 12 de janeiro em Cuidados com a Natureza.

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