Logística reversa – o que é isso?


Embora pareça uma denominação complicada, muitos já praticaram a logística reversa sem saber. Lembra-se daquele tempo em que para se comprar refrigerante e cerveja era preciso retornar as garrafas de vidro? Pois é, para adquirir esses produtos, você entregava ao comerciante as embalagens vazias. O comerciante, por sua vez, ao comprar novo lote, encaminhava as garrafas aos fabricantes que, após submetê-las a um processo de higienização as retornava à linha de produção.

Desde 2014 a prática de devolução ao fabricante voltou a ser comum em alguns produtos como: pneus; pilhas e baterias; embalagens e resíduos de agrotóxicos; lâmpadas fluorescentes, de mercúrio e de vapor de sódio; óleos lubrificantes automotivos; peças e equipamentos eletrônicos e de informática; e eletrodomésticos (geladeiras, fogões, micro-ondas, freezers, etc.). Assim, a logística reversa responsabiliza empresas e estabelece uma integração de municípios na disposição final dos resíduos, de forma ambientalmente adequada. Nesse processo, os fabricantes de pneus, por exemplo, têm que prever como se dará a devolução, a reciclagem e a destinação correta do resíduo.

 

Logística Reversa é definida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos – “Instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Lei 12.305/10

 

Com o aumento de produtos com ciclos cada vez mais curtos, é essencial sabermos as responsabilidades de todos os envolvidos em um processo de consumo. Cabe aos consumidores devolver determinados materiais, após o uso, em postos específicos, instalados por comerciantes. As indústrias são responsáveis pela retirada desses materiais, por meio de um sistema de logística, seja para reaproveitá-los na cadeia produtiva ou descartá-los corretamente. A administração pública é incumbida de promover campanhas de educação e conscientização para os consumidores, além de fiscalizar o cumprimento das etapas da logística reversa.

 

Vantagens da logística reversa

 

Minimiza a poluição e contaminação de rios, solos, mares e florestas, já que os resíduos sólidos retornam para as empresas fabricantes.

 

Permite a economia nos processos produtivos das empresas, uma vez que os resíduos retornados podem entrar novamente na cadeia de fabricação, diminuindo o consumo de novas matérias-primas.

 

Fomenta um sistema de responsabilidade compartilhada para o destino dos resíduos sólidos. Consumidores, empresas e governos assumem responsabilidades pela separação, coleta e descarte dos materiais.

 

Logística reversa na prática: bons exemplos

Mercado de pneus

No Brasil, uma parte dos pneus que perdem sua função original se “transforma” em solados de sapato, pisos para quadra poliesportiva, pisos industriais, tapetes para automóveis e até mesmo asfalto.

O processo é relativamente simples e conta com o apoio de todos. O consumidor, após usar os pneus, deve encaminhá-los a postos de coleta específicos, onde serão retirados pelo fabricante. O fabricante reutilizará estes pneus, utilizando-os na linha de produção de novos pneus ou em outros produtos.

Entre os anos 1999 e 2013, 492 milhões de pneus foram coletados e destinados adequadamente, segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP). Atualmente, funcionam cerca de 800 pontos de coleta do material em todos os estados e Distrito Federal.

 

Mercado de entulho

Os restos de uma obra podem se “transformar” em pedra ou areia após passarem por um processo de reciclagem. E assim são reaproveitados para a fabricação de novos blocos, pavimentação e calçadas.

Belo Horizonte foi uma das primeiras cidades do Brasil a destinar de forma correta o entulho. Por lá, 460 toneladas de detritos são transformados em insumo para a construção civil, diariamente. Se a capital mineira fosse comprar esses materiais no mercado, gastaria aproximadamente R$ 7 milhões por ano.

Agora que você já sabe que faz parte do processo da logística reversa, basta ficar atento aos locais de descarte e coleta de produtos especiais.

Todos nós somos responsáveis!

 

 

 

 

Fontes: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (INPEV), Ministério do Meio Ambiente, Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), Conselho de Logística Reversa do Brasil e Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.


Logística reversa – o que é isso?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>