Gestão de resíduos e economia


Em uma das nossas últimas publicações você ficou sabendo que o Brasil possui uma Política de Resíduos Sólidos que prevê a redução de geração de resíduos a partir de práticas de consumo mais responsáveis, estímulo à reciclagem e à reutilização de materiais com valor econômico, e incentivos à destinação ambientalmente correta dos rejeitos (aquilo que não pode ser reutilizado).

Mas afinal, será que funciona o mercado da reciclagem no Brasil? Quanto que esse setor gera de empregos e movimenta na economia?

Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB, do IBGE, 99,96% dos municípios brasileiros possuem serviços de manejo de resíduos sólidos, mas 50,75% deles destinam seus resíduos em vazadouros (lixão a céu aberto); 22,54% em aterros controlados e 27,68% em aterros sanitários. Esses dados mostram ainda que 3,79% dos municípios têm unidade de compostagem de resíduos orgânicos e 11,56% possuem unidades de triagens de resíduos recicláveis.

Mesmo com dados não muito animadores, o Brasil possui boas iniciativas e é nelas que pretendemos nos inspirar.

Iniciativas brasileiras – Transformando lixo em negócio e oportunidade

Algumas empresas já perceberam que a reutilização de materiais e o consumo consciente reduzem custos e geram empregos. Afinal, estamos falando de um mercado que movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).  Sem contar o que ainda é perdido anualmente: cerca de R$ 8 bilhões são “enterrados” como lixo que poderiam ser reaproveitados.

Dessa forma, a reciclagem é uma importante ferramenta de geração de empregos e renda no País. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), são pelo menos 400 mil catadores no Brasil. Mas apenas 10% pertencem a uma cooperativa e possuem salário que variam entre R$ 800,00 a R$ 1.300,00. Os não cooperados recebem cerca de R$ 570,00.

Quando o assunto é latas de alumínio o Brasil é referência. O País se tornou líder mundial de recuperação desse tipo de material devido a uma política que manteve o preço da sucata atrativo. Um quilo de alumínio (74 latinhas) vale de R$ 2,50 a R$ 3,00. A reciclagem de garrafas PET é também vem ganhando destaque. Nos últimos dez anos, a taxa de recuperação do material aumentou de 32,9% para 57,1%, totalizando um mercado anual de R$ 1 bilhão.

Dados como esses nos mostram possibilidades e oportunidades de explorar um mercado ainda pouco incentivado, mas bastante promissor no sentido de reduzir custos e possibilitar benefícios socioeconômicos e ambientais.

 

 

Faz bem para natureza, para os catadores e para o nosso bolso

Cada vez mais as decisões de compras das empresas consideram os impactos em todo o ciclo de vida dos produtos – da matéria-prima à destinação final. Além de reduzirem seus custos, promovem geração de emprego e contribuem para a proteção dos recursos naturais.

Segundo o IPEA, a substituição da celulose virgem por fibras recicladas, por exemplo, permite uma economia de R$ 331,00 por tonelada, metade do valor sem a reciclagem que é R$ 687,00 por tonelada. Conheça outras vantagens por tipo de material:

 

Custos de produção (R$ por tonelada)

 

Matéria-prima virgem

Matéria-prima reciclada

Vantagem econômica

Aço 552,00 425,00 127,00
Alumínio 6.162,00 3.447,00 2.715,00
Plástico 1.790,00 627,00 1.163,00
Vidro 263,00 143,00 120,00

Fonte: IPEA

A boa notícia é que o mercado da reciclagem vem ganhando adeptos e crescendo ano a ano. Em 2012 o Brasil possuía cerca de 30 mil catadores organizados em cooperativas que realizavam a triagem de 2.329 toneladas por dia de resíduos recicláveis, já em 2014 esse número cresceu para 3.851 toneladas por dia.

Um dos desafios da reciclagem é tornar seu modelo mais atraente e menos dependente de subsídios. Atualmente o custo da coleta seletiva é 4,5 vezes superior ao da coleta convencional.

Fontes: Ministério do Meio Ambiente, IPEA, Cempre e IBGE.

 

 


Gestão de resíduos e economia
Postado em 12 de janeiro em Sem categoria.

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