Água que vem voando e o que você tem a ver com a Amazônia


A floresta Amazônica está a três mil quilômetros de distância do Estado de São Paulo e ainda assim se relaciona com o restante do País, sendo a principal responsável pela regulação da chuva e do clima em todo o Brasil por meio de um fenômeno chamado “rios voadores”.

Esses rios invisíveis que “circulam sobre as nossas cabeças” são cursos de água atmosféricos, formados por massas de ar carregadas de vapor que transportam umidade da Amazônia para outras regiões do Brasil. Porém, o avanço do desmatamento da floresta compromete e limita a vasão do “rio voador”, fazendo com que ele fique cada vez mais “seco” e não tenha força suficiente para transportar a umidade para os outros estados.

Quanto mais árvores, mais umidade!

Você deve se lembrar dos nossos últimos textos em que abordamos os serviços prestados gratuitamente pela natureza – provisão de alimentos, ar puro, matéria prima, polinização e produção de água são alguns exemplos desses serviços que garantem a nossa sobrevivência e bem-estar.

Imagine um pé de pitanga… Pense em uma mudinha dessa fruta que é nativa da Mata Atlântica. Ela mesmo sozinha é responsável, em menor escala, por produzir oxigênio, atrair polinizadores, sequestrar o gás carbônico e fornecer alimentos. Agora, imagina a quantidade de serviços prestados por uma floresta inteira, com milhões de árvores.

É assim que a floresta Amazônica, entre outros serviços, age como a nossa bomba d´água, puxando para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico.

Como se formam os “rios voadores”

1º A água evaporada do mar é “empurrada” pelos ventos e “sugada” para a floresta Amazônica. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), esse “rio” se desloca a três quilômetros de altura.

2º No momento em que a água evaporada do oceano passa pela floresta, o “rio voador” dobra de volume, isso porque a mata também libera vapor por meio do processo de transpiração.

3º Quando a massa de umidade encontra, no oeste da Amazônia, a barreira de montanhas que forma a Cordilheira dos Andes boa parte do vapor fica por ali, na forma de neve, que ao derreter desce as montanhas, formando os córregos que por sua vez formarão os principais rios da bacia Amazônica.

4º O restante da água, cerca de 40%, segue rumo ao sul – a umidade passa por Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e chegando até ao norte do Paraná, cerca de seis dias depois.

Ao final da “viagem” os “rios voadores” caem em forma de chuva nas regiões Centro Oeste e Sudeste do Brasil.

 

 

 

Curiosidades

 

  • A quantidade de água evaporada pelas árvores da Amazônia tem aproximadamente a mesma vazão do rio Amazonas (200 mil m3 por segundo), o que representa 80 piscinas olímpicas sendo disponíveis graças aos serviços prestados pelas florestas.
  • Uma árvore com uma copa de 10 metros de diâmetro pode disponibilizar mais de 300 litros de água na atmosfera, em forma de vapor, por dia. Esse número fica ainda maior se a copa da árvore tiver, por exemplo, 20 metros de diâmetro o que corresponde a cerca de mil litros por dia.
  • Estudos apontam que exista 600 bilhões de árvores na Amazônia – Isso nos dá uma ideia da quantidade de água que está sendo bombeada para as outras regiões.
  • Cerca de 90% de toda a água que chega à atmosfera chegou por meio da transpiração das plantas.

 

Agora, a situação não é tão confortável quanto parece. Essa realidade está sendo constantemente ameaçada em decorrência do desmatamento, queimadas e substituição da floresta por agricultura e pasto. Além de evitar que esse tipo de coisa aconteça é preciso recuperar as áreas que já foram degradadas, que somente no Brasil equivale a 184 milhões de campos de futebol ou cerca de 42 bilhões de árvores, segundo o Relatório “O Futuro Climático da Amazônia”.


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