Água potável: um recurso cada vez mais escasso


A visão da Terra como o “planeta azul” nos passa a impressão de que vivemos em um mundo com abundância de água. Sim, é verdade. Porém, a água que utilizamos para nossos afazeres diários, produção e, principalmente, para matar a sede, não é tão abundante assim como parece. E isso tem relação direta com as formas como lidamos com este importante recurso natural.

Entenda mais!

Nosso planeta é composto por 70% de água. Mas somente uma pequena porção (2,5%) é doce e a maior parte dessa água doce (cerca de 2%) está congelada nos polos. O restante é água salgada. Pela conta, sobram pouco menos de 0,5% para uso entre todos os habitantes da Terra, disponíveis nos subsolos ou em rios e lagos.

No Brasil, estão 12% da água doce do mundo. Mas, mesmo abundante, essa água é distribuída de forma irregular. Por exemplo, a Amazônia, com as mais baixas concentrações populacionais, possui 80% da água superficial. Já a região Sudeste, com a maior concentração populacional do País, tem disponíveis 6% do total da água. No País, apenas 82% das pessoas têm acesso à água tratada.

A qualidade dessa água muitas vezes está comprometida com a poluição de rios devido à falta de saneamento e a atividades industriais, além da degradação de nascentes e áreas florestais. Para ter uma ideia, das 100 maiores cidades do Brasil, apenas 49% possuem coleta de esgoto e, destes, só 39% é tratado antes de retornar aos rios – o que é um grave problema para a saúde das nossas águas. Ou seja, para cada 10 litros de esgoto que são produzidos, apenas cinco litros são tratados. A conta é do Instituto Trata Brasil no Ranking do Saneamento nas 100 Maiores Cidades. De acordo com o Instituto, em 2013, mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogadas por dia na natureza. Quando olhamos para as capitais, das 27 do País, 19 delas tratam menos de 50% do seu esgoto. Grandes cidades, como São Paulo, por exemplo, não tratam os seus esgotos totalmente.

Com relação à disponibilidade de água, não podemos ignorar também a alteração dos ciclos naturais da chuva, que dependem muito do equilíbrio entre atmosfera, oceanos, florestas e as outras áreas verdes do planeta. O desequilíbrio ambiental e as mudanças climáticas vêm modificando esses ciclos e prejudicando os períodos de armazenamento de água das chuvas na natureza. Unindo a falta de chuva ao processo de poluição dos recursos hídricos e de degradação ambiental, estamos esgotando a cada dia esse precioso serviço que a natureza nos oferece.

Desafio mundial

A falta de água potável é uma dura realidade em vários países. Hoje, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada e 2,5 bilhões não possuem condições sanitárias adequadas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Outro agravante é que a população humana no mundo só aumenta, assim como as atividades de consumo que utilizam o recurso, como a produção extensiva de alimentos. Estima-se que a cada 20 anos o consumo mundial de água duplica. Assim, em 2030, a população global vai necessitar de 35% a mais de alimento, 40% a mais de água e 50% a mais de energia para sobreviver em condições adequadas, de acordo com a ONU. Até 2050, aproximadamente 45% da população não terá a quantidade mínima de água.

Essas informações mostram que no ritmo em que consumimos água e desperdiçamos esse recurso, em poucos anos, o futuro ficará insustentável. Precisamos de uma mudança de postura na utilização desse recurso. A aparente abundância de água não pode ser confundida com permissão para desperdício com poluição, perdas durante o abastecimento ou uso descontrolado, como costumamos ver. É necessária uma ação conjunta entre população, governos, e todos os setores da economia, para mantermos a qualidade e quantidade de água potável disponível para uso.

Você sabia que a água é um direito?

 

O acesso à água de qualidade e instalações sanitárias é um direito humano essencial, de acordo com uma resolução da ONU, da qual o Brasil é um dos signatários. Quem deve assegurar esse direito é o governo. A resolução afirma que “o direito a uma água potável própria e de qualidade e a instalações sanitárias é um direito do homem, indispensável para o pleno gozo do direito à vida”.

 

(Fontes: ONU e Instituto Trata Brasil)

 


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