Crises e soluções ambientais: lados da mesma moeda


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Muitas das crises ambientais estão em curso hoje no mundo – mudanças climáticas, escassez de água, perda de espécies animais e vegetais,– são preocupantes, mas podem ser o motor para delinear o futuro da humanidade nos próximos anos. Somos 7 bilhões de pessoas hoje, e a perspectiva é que a população global chegue a 9 bilhões até 2050, segundo projeções da ONU (Organização das Nações Unidas). Como conciliar as demandas de uma população em crescimento com a preservação dos ecossistemas?
A resposta está no uso da inteligência e da inovação, e do reconhecimento de que somos parte da natureza e que ela provê nossas principais necessidades. É o meio ambiente que sustenta a economia das nações e permite à humanidade produzir alimentos e outros bens graças à disponibilidade de água, solos férteis, condições climáticas favoráveis e outros serviços que o meio ambiente nos presta. A questão mais delicada é que hoje 20% da população do planeta, concentrada nos países mais ricos, é responsável pelo consumo de 85% dos recursos naturais disponíveis na Terra. É imperativo, portanto, que o uso dos recursos naturais seja feito da forma mais racional possível, e usando o melhor da tecnologia disponível para encontrar as soluções necessárias.
Assim, a agenda dos governantes, das empresas, das ONGs e dos cidadãos já está convergindo para enfrentar essas questões. Na Rio+20, a última conferência da ONU sobre meio ambiente, realizada em junho de 2012 no Rio de Janeiro, as principais discussões foram no sentido de como tornar a economia mais “verde” (mais amiga do meio ambiente) ao mesmo tempo em que se combate a pobreza, um fardo insustentável que ainda pesa sobre vários países, principalmente após as recentes crises econômicas.

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É praticamente consenso entre as nações que haverá mudanças nas regulamentações sobre combustíveis mais poluentes e no sistema de precificação dos bens. Ou seja: à medida que as riquezas que a natureza oferece vão se tornando finitas, torna-se mais evidente a lei da oferta e da procura, com uma tendência ao encarecimento. Isso deve afetar o preço dos alimentos (já que terras disponíveis para o cultivo se tornarão cada vez mais raras), dos combustíveis (as reservas de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás também são finitas), da água – já que os custos de tratamento e abastecimento também podem encarecer, à medida que a demanda por água potável cresce.
Para isso, a produção de alimentos também deverá se adaptar para produzir alimentos para uma população crescente, utilizando para isso menos recursos, como água, solo e fertilizantes. A biotecnologia e a engenharia genética desempenharão papel de protagonistas nesse cenário, assim como os plantios inteligentes, com rotação de culturas e em simbiose com áreas florestais. Na produção de energia, a ênfase terá de ser nas fontes renováveis, que têm menor impacto no aquecimento global, como a energia hidrelétrica, dos ventos, solar e da biomassa. O Brasil apostou nessas energias e hoje é o país que possui a matriz energética mais limpa do mundo. No quesito água, muitos avanços estão sendo realizados para driblar a promessa de escassez: países como Israel estão investindo pesado na dessalinização da água do mar (hoje mais de 15% da água consumida no país provém dessa fonte). No Brasil, várias indústrias já apostam nessa tecnologia, evitando, assim, o uso de água para fins que não sejam o consumo humano.
Há muitos desafios a enfrentar, mas há que ter esperança na inventividade humana e na sua capacidade de enfrentar – e sobreviver – a crises. Basta apenas que a tomada de consciência seja mais acelerada e que todos trabalhem em conjunto para construir um futuro sem escassez de recursos naturais e onde a humanidade possa prosperar e exercer suas potencialidades. Já dizia o escritor português José Saramago: “Não tenhamos pressa, mas também não percamos tempo.”


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