No meio do caminho, havia um pé de couve


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Do meio da praça brotam pés de alface, de milho, de cebolinha e hortelã, e berinjelas mais bonitas do que aquelas que se encontram à venda na feira. Qualquer pessoa pode entrar na horta e colher as hortaliças fresquinhas, desde que em pequena quantidade, pois a iniciativa é comunitária e está a serviço de todos. A Horta das Corujas, localizada em uma praça na Vila Beatriz, zona oeste da capital paulista, nasceu do interesse de um grupo de voluntários, moradores do bairro, de utilizar parte do espaço público para produzir alimentos.

A produção, claro, é pequena, já que a horta ocupa um espaço de 800 metros quadrados da praça. Mas é carregada de simbolismo: com a iniciativa, os moradores quiseram mostrar que sustentabilidade também é produzir alimentos no próprio local em que se vive, reduzindo a pegada de carbono – mesmo que isso signifique abrir uma brecha no concreto, na maior metrópole do país. O projeto também ensina que, organizada, a comunidade é capaz de cuidar da horta pública como se fosse o jardim de casa. Aos fins de semana, os moradores se organizam em mutirões para fazer novos plantios e todos os dias, de manhã e à tarde, um voluntário se dispõe a regar os cultivos. A exceção é quando chove – aí São Pedro é quem assume a tarefa.

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Além de enxadas e regadores, os responsáveis pela Horta das Corujas também apostaram na tecnologia para chamar a atenção para a ideia: criaram um grupo nas redes sociais, chamado Hortelões Urbanos, para compartilhar a experiência de plantar em espaços públicos. Com uma comunidade de mais de 4.000 membros, a ideia prosperou e já se espalhou por outros bairros de São Paulo. Há hortas comunitárias em outros bairros paulistanos como Pompeia, Vila Mariana e até na Avenida Paulista – a Praça do Ciclista, que fica no final da via, já ostenta seus pés de couve, alface e salsinha. A ideia de se criar hortas em espaços públicos, porém, não é exclusividade nacional. Cidades como Havana, em Cuba, e São Francisco, na Califórnia, nos EUA, incentivam a produção de alimentos em espaços públicos.

Para criar uma horta comunitária em um espaço público é necessário, antes de tudo, pedir autorização à prefeitura local – ou subprefeitura, no caso de uma grande cidade como São Paulo. Dada a autorização, é preciso verificar se o local tem boas condições de solo e se há água disponível para os plantios: no caso da Horta das Corujas, a água brota naturalmente do solo, e foi cavada uma cacimba para retirada da água para as regas. O passo seguinte é organizar a comunidade para que todos se responsabilizem em fazer a horta vicejar e cuidar dos plantios – e convocar outros voluntários para abraçar a causa. A ideia pode ser replicada em qualquer lugar: a recompensa é comer uma deliciosa salada feita com a alface colhida na praça, adubada organicamente e com sabor de espírito comunitário.


No meio do caminho, havia um pé de couve

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